Bangalô
Marcelo Mirisola
RESENHA

O que acontece quando o cotidiano se encontra com a poesia e o absurdo em um pequeno bangalô? Em Bangalô, Marcelo Mirisola nos presenteia com uma obra que é, ao mesmo tempo, simples e devastadora. Em apenas 128 páginas, o autor, que já se consolidou como uma voz singular na literatura brasileira, nos leva a uma jornada pela essência da vida, através de histórias que dançam entre o riso e a reflexão.
Neste relato intrincado e, por vezes, surreal, Mirisola captura a essência do ser humano em suas nuances mais estranhas, revelando a banalidade do cotidiano como um palco para grandes tragédias e comédias. O protagonista, em meio à desordem e à busca por sentido, vive um cotidiano que parece insignificante, mas é, na verdade, a linha tênue entre o sonho e a realidade. Esse espaço - o bangalô - torna-se um microcosmo onde os conflitos humanos transbordam, e você, caro leitor, é convidado a mergulhar nas profundezas de suas emoções.
Os comentários da crítica sobre Bangalô não são unânimes. Enquanto alguns se rendem à escrita incisiva de Mirisola, provando que ele possui uma habilidade única de fazer com que o cotidiano pareça extraordinário, outros não hesitam em apontar a falta de um enredo mais linear e a confusão proposital de elementos. Essa polaridade é um testemunho da ousadia do autor em desafiar as convenções literárias, aumentando a intensidade da experiência de leitura. A escrita de Mirisola pode ser comparada a um quebra-cabeça, onde cada peça, por mais estranha que pareça, tem seu lugar no todo.
A crítica também se debruça sobre como a obra retrata a solidão e a busca incessante por conexão em um mundo onde a superficialidade reina. Em um estilo quase irônico, Mirisola expõe a fragilidade das relações humanas. O bangalô, nesse contexto, não é apenas um espaço físico, mas um símbolo de um estado mental - um santuário e, ao mesmo tempo, uma prisão.
Aproximando-se dos anseios e medos mais profundos, Bangalô é capaz de provocar uma identificação instantânea. Leitores que já se sentiram aprisionados em sua própria realidade certamente verão em suas páginas um espelho distorcido de suas vidas. As críticas pontuais à sociedade moderna e às suas falências ressoam com força, quase como um grito de socorro por autenticidade em meio à mediocridade que nos abraça.
E, assim, Marcelo Mirisola nos entrega não apenas um livro, mas um convite a questionar. Bangalô revela-se como um terreno fértil para a criação de novas percepções, onde cada página folheada abre um leque de possibilidades de análise e reflexão sobre o que significa existir. Você não apenas lê, mas, ao se deparar com sua prosa envolvente e muitas vezes perturbadora, você se depara com o que pode ser sua própria verdade. Não se deixe levar pela superficialidade; mergulhe nas profundezas do bangalô e descubra o que realmente importa.
📖 Bangalô
✍ by Marcelo Mirisola
🧾 128 páginas
2002
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