Blues
Robert Crumb
RESENHA

Robert Crumb, mestre do traço semi-cínico que sacode nossas entranhas, dá um soco direto na consciência do leitor com "Blues". Quando falo em "socorro", não é mera figura de linguagem - este livro é uma autêntica queda livre pelo universo distorcido do autor. E não, "Blues" não é apenas uma publicação permeada de tinta e papel; é uma viagem sombria pelas ruas enlameadas dos Estados Unidos da Grande Depressão.
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A intimidade com que Crumb desenha ícones do blues como Muddy Waters, Robert Johnson e Bessie Smith transpira uma reverência quase religiosa, mas é a atmosfera carregada que realmente nos aprisiona. A quem decide abrir estas páginas, detenha-se e sinta: o ar pesado dos cabarés, a miséria rasgando o tecido humano, e o grito agudo que tenta, em vão, romper na desesperança. A jornada começa nos becos sujos, palco de gafieiras enfumaçadas e tem trocas de olhares e se expande até os recantos mais sombrios da alma. 🚬
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E não é só isso que balança as emoções do leitor - pense nos anos 20 e 30 do século passado, aquela labuta diária, sem alento. Crumb nos arremessa exatamente nessa catarse histórica, onde o blues era mais que música: era sobrevivência. Cada traço nítido e exagerado da ilustração apresenta uma crítica afiada ao sonhador americano. Somente Crumb, ouso afirmar, poderia dar vida e sons aos escombros da existência destes personagens; seres humanos reais entrelaçados duma forma angustiante e visceral. 🎷🎨
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E não ache que "Blues" vai te permitir descanso. Ao contrário, vai catapultar tua empatia até o limite, empurrando-te num turbilhão emocional sem saída de emergência! As críticas da obra evocam isso, aliás. Quem se debruça sobre o livro frequentemente revela a um misto de paixão e dor. Um leitor deixou florescer o depoimento que "a experiência de leitura foi como ver a nação sufocar e renascer traço por traço".🎸 E cá entre nós, quem neste mundo busca uma leitura morna e previsível? Então prepare-se para tocar as profundezas do sofrimento humano em um piscar de olhos!
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E é triste? Sem dúvida. Mas é uma tristeza que não intimida; ao contrário, te convida a encarar a realidade sem atenuantes, de frente com o inquebrável espelho da potência artística de Crumb. A cultura e o teor histórico ali entremeados mostram-se únicos, invariavelmente capturando teu maior receio: perder-se em uma narrativa rica de forma que nunca mais a encontrará em outra obra. 🎉
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Em síntese, ao embarcar nesta saga gráfica onde cada pincelada conta uma história de luta, resiliência e melancolia, o único conselho é: mantenha os sentidos alertas e o coração preparado. Robert Crumb colocou nas mãos de cada leitor um verdadeiro veludo grafite bordado com bastões negros de humanidade. Não há indiferença possível depois de um espetáculo desses. E no final das contas, é isso que te prende neste 'Blues' - a inegável certeza de que vislumbrar essa profundidade te muda para sempre. 🖤
Agora, abra o livro e veja por você mesmo... ou perderá um dos maiores testemunhos da realidade cinética do blues.
📖 Blues
✍ by Robert Crumb
🧾 120 páginas
2021
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