Krum
Hanoch Levin
RESENHA

Em cada página de Krum, Hanoch Levin nos conduz por um labirinto de emoções onde a existência é desfilada como um espetáculo sombrio e ao mesmo tempo cativante. A trama, que se desenrola com uma doçura amarga, revela a jornada de um anti-herói que luta contra um mundo indiferente e opressivo, retratando com maestria a solidão e a busca desesperada por pertencimento.
Krum não é apenas um título; é um grito de desespero e anseio que ecoa em nossos corações. A obra, com suas 80 páginas carregadas de diálogos afiados e personagens marcantes, nos arrasta para um universo neutro, onde as nuances da vida cotidiana se entrelaçam com as tragédias pessoais. Cada cena é construída com uma força dramática que reverbera a condição humana em sua forma mais crua e reveladora. Os leitores se tornam testemunhas de um jogo de palavras que desafia a expectativa, uma dança onde os ritmos da tragédia e da comédia se fundem.
Os comentários dos leitores variam entre elogios efusivos e críticas incisivas. Alguns dizem que a profundidade existencial presente na obra os tocou de maneira incomensurável, enquanto outros acham que a abordagem de Levin se perde em um labirinto de ironia e sarcasmo. Essa dualidade de opiniões não faz mais do que reforçar a complexidade de um texto que, em sua essência, é tão simples quanto doloroso.
Levin, dramaturgo e poeta israelense, foi um verdadeiro maestro em capturar a humanidade em suas múltiplas camadas. Em Krum, suas influências históricas e pessoais marcam presença, refletindo o tumulto e a desconstrução de valores típicos do século XX. O cenário sombrio de sua obra não é meramente um pano de fundo; é uma entidade que interage com Krum e seus dilemas, como se o próprio ambiente fosse um personagem vivo, oprimindo e moldando as ações e decisões dos personagens.
O poder da obra reside em sua habilidade de transformar a tristeza em arte e a ironia em reflexão. Nesse sentido, Krum não é apenas um livro, mas um convite a mergulhar mais fundo nas águas da introspecção e a confrontar os próprios demônios. Você, leitor, pode sentir a força do texto como um choque, uma eletricidade que percorre cada parágrafo, fazendo com que você questione as próprias realidades que o cercam.
Por fim, ao encerrar as páginas de Krum, a sensação que permanece é a de uma inquietante identificação com o protagonista. Krum é um espelho; ao olhar para ele, você é confrontado não apenas com suas angústias, mas com suas esperanças e sonhos não realizados. Este livro ousa empurrá-lo para o abismo da reflexão e, ao mesmo tempo, oferece um fio de esperança - talvez a mais poderosa liberdade seja a de reconhecer a fragilidade da vida e, no fundo, encontrar beleza nessa condição. 🌪
📖 Krum
✍ by Hanoch Levin
🧾 80 páginas
2015
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