Viver à flor (e ao corte) da pele
Estudo sobre a autolesão
Clécia Maria Lopes do Nascimento
RESENHA

A autolesão é uma sombra que paira sobre muitos, um ato de dor que se esconde sob a pele e grita em silêncio. Viver à flor (e ao corte) da pele: estudo sobre a autolesão, de Clécia Maria Lopes do Nascimento, é uma abordagem poderosa e necessária sobre um tema que muitos preferem ignorar. Nos encontramos, ao longo das 123 páginas, mergulhando em um emaranhado de emoções e questionamentos que nos forçam a confrontar a realidade daquela dor que insanamente se escolhe enraizar.
A autora, psicóloga e especialista no tema, abre um diálogo crucial que toca na ferida exposta da sociedade contemporânea e sua relação com a saúde mental. Como não ficar arrebatado ao deparar com a narrativa de tantas vidas, que optam pelo corte como forma de expressar um turbilhão interno que as palavras não conseguem traduzir? Nascimento revela que a autolesão não é meramente um capricho ou um ato inconsequente; é um grito por ajuda. Ao debruçar-se sobre o assunto, o leitor pode não apenas entender, mas sentir a profundidade dessa dor e a fragilidade que envolve aqueles que dela sofrem.
Cada página parece pulsar a dor pulsante na pele como se conferisse uma voz a quem se sente invisível. O livro não tem o intuito de glamorizar a autolesão; pelo contrário, revela a ela uma face humana, discutindo as causas, os fatores de risco e os caminhos para a compreensão e a superação. É uma mensagem de empatia e solidariedade, que exige que olhemos para o outro com uma lente mais rica-transcendendo o julgamento e percebendo a complexidade da mente humana.
Os comentários e opiniões dos leitores são diversos, refletindo desde a gratidão pela abordagem direta e honesta, até críticas que vêem na obra uma falta de soluções práticas. Mas isso é justamente o que provoca reflexão: um ensino de que a busca por entender a dor deve anteceder qualquer impulso de sanar. A autora provoca em você, leitor, uma espécie de raiva ao perceber que muitos ainda veem as cicatrizes como meras marcas, quando, na verdade, são testemunhos de batalhas internas.
Num tempo em que os padrões de beleza e sucesso estão altos, a pressão é palpável e as expectativas sufocantes. Viver à flor (e ao corte) da pele não apenas trata do ato em si, mas do contexto social que o favorece, discutindo a necessidade urgente de mais conforto emocional e apoio nas relações humanas. O choque de realidade aqui não é apenas um convite a refletir, mas um puxão de orelha coletivo para que cuidemos uns dos outros. 🌍💔
A leitura desse livro não é para os fracos; é para aqueles que desejam entender a complexidade do ser humano, se permitindo sentir todas as cores do espectro emocional. É um chamado para a empatia, um manifesto que diz "estamos juntos nessa luta". Clécia Maria Lopes do Nascimento nos lembra que escutar as vozes da dor é parte essencial da cura e que, talvez, a mudança comece quando decidir que há beleza em viver, mesmo que à flor da pele.
📖 Viver à flor (e ao corte) da pele: estudo sobre a autolesão
✍ by Clécia Maria Lopes do Nascimento
🧾 123 páginas
2021
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